Já foi o tempo em que os profissionais esperavam investimentos das companhias para desenvolver habilidades. As novas gerações parecem estar correndo, por si só, atrás do prejuízo.

O que uma preparadora física de 35 anos, acostumada a formar atletas, tem em comum com uma administradora de empresas de 34, responsável por fomentar negócios para um grande banco brasileiro? Além da média de idade, ambas têm como plano de vida a busca contínua pelo crescimento pessoal.
É que há alguns anos um novo fenômeno em Recursos Humanos desembarcou no Brasil, tornando-se uma tendência para muitos brasileiros. É o chamado autodesenvolvimento, que, com a crise, parece estar ganhando ainda mais força.
“A crise gerou um novo cenário (não só pelos cortes em investimentos, mas pela preocupação dos profissionais com a carreira), que causa apreensão e desconforto. As pessoas começam a refletir se estão preparadas e o autodesenvolvimento é uma das maneiras que encontraram para crescer e se adaptar à nova realidade”, analisa a psicóloga Cynthia Mastropacha, que há 20 anos atua com RH.
Segundo ela, a tarefa de se aperfeiçoar requer um cuidado especial. O primeiro passo é ter um objetivo claro. “Você precisa saber aonde quer chegar, para depois começar a caminhada”. Após estabelecer um foco, é hora de avaliar. Seja seu objetivo melhorar habilidades técnicas – com especializações acadêmicas –, ou mesmo comportamentais – neste caso, as mais conhecidas são a terapia e o coaching –, o mais importante é ter disciplina.
Todo mundo ganha
Para a empresa, ter um funcionário que entende a necessidade de buscar o próprio cr
escimento é fator de progresso. Para o profissional, é, acima de tudo, um diferencial de mercado. “Todos veem com bons olhos alguém que quer melhorar e se destacar entre os demais. Ele só tende a ganhar”, afirma Ricardo Rabello, diretor da área de Avaliações e Diagnósticos da Fellipelli.
E, quando o assunto é investimento (ou a falta de), a empresa pode adotar algumas estratégias, como orientar seus funcionários. Outra tática são os incentivos indiretos, que é o caso das participações nos lucros. “Isso não demanda custos diretos, mas incentiva os colaboradores a melhorarem profissionalmente, o que resulta em crescimento para a empresa”, pontua Cynthia.
Mas e quando o maior impedimento é o dinheiro? Aí existem diversas formas de aprendizagem, como a leitura de livros, os cursos pela internet (geralmente, gratuitos) e a participação em fóruns e pesquisas. “São maneiras efetivas de aprendizado, opções interessantes e viáveis para qualquer bolso e interesse”, fala Rabello.
Lembra das semelhanças do começo da matéria? Luciane Macias é uma professora de educação física de Santos, litoral de São Paulo. Sofia Mateus é portuguesa e trabalha há 15 anos no HSBC Brasil. A primeira sempre leu muito, aprendeu diversos esportes (surfe, handebol, jiu jitsu e atletismo) e acredita que “o equilíbrio perfeito está em desenvolver o corpo e a mente.”
Nesse ponto, Sofia concorda. Ao longo de sua carreira, ela teve investimentos do banco, mas nunca deixou de ir, por conta própria, atrás do autodesenvolvimento. Hoje, além de malhar, anda cerca de 60 km de bicicleta por semana e admite: “Trago as lições do esporte para a minha vida profissional. Fatores como planejamento estratégico, tomada de decisões e adaptabilidade fazem parte da minha rotina de exercícios e de trabalho. É uma relação complementar, crucial para qualquer desenvolvimento.”





