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  Artigos - JULHO DE 2009
  Intraempreendedor

 

Renato Grinberg, Diretor-geral da trabalhando.com.br

O foco de conversas que acontecem dentro do ambiente empresarial é, constantemente, o empreendedor e suas práticas. Mas, na maioria das vezes, é que a análise feita leva em conta aquele profissional que constrói verdadeiros impérios particulares. Com isso, uma figura muito importante é deixada de lado: o intraempreendedor.
Esse termo está ligado ao profissional que promove suas atividades de empreendedorismo dentro de uma organização, como funcionário, e surgiu no final da década de 70. Isso quer dizer que, para buscar o desenvolvimento real de uma empresa, a pessoa não necessariamente precisa ser a dona do negócio, mas, sim, fazer parte de sua estrutura de forma efetiva.
O caso mais conhecido desse perfil de profissional é o de Jack Welch. Esse norte-americano foi o responsável por elevar o valor de mercado da General Eletric de US$ 14 bilhões para US$ 410 bilhões. Isso aconteceu durante sua gestão como CEO da companhia. Desde políticas de recursos humanos até processos internos de gestão, essa verdadeira lenda do mundo corporativo promoveu grandes mudanças na própria cultura da GE.
Para que isso aconteça é preciso que a organização tenha políticas que permitam que seus colaboradores expressem suas ideias. Além disso, eles precisam ter a oportunidade de colocá-las em prática ou o que se tem é apenas um conjunto de boas ideias. Punir severamente erros durante a implantação de um novo processo, por exemplo, é algo que normalmente pode inibir o surgimento de intrampreendedores em uma empresa.
O mercado está cada vez mais receptivo a pessoas com o perfil de Welch. Quando se fala em pró-atividade, por exemplo, podemos entender que é uma das características de quem empreende. Atualmente, por conta dos efeitos gerados pela crise financeira, tornou-se necessário que as empresas estimulem seus colaboradores a ir além do que estão acostumados a fazer. Programas de incentivo à inovação e à capacitação de funcionário são apenas formas de se promover o espírito empreendedor.
Modelos de gestão que privilegiam o compartilhamento de informações e organogramas horizontalizados são características que aumentam as chances de uma empresa ter intraempreendedores em seu quadro de colaboradores. Estruturas fortemente hierarquizadas e com muita burocracia dificultam o trabalho de quem pretende criar e implementar novas formas de fazer aquilo que não traz os resultados esperados.
Parceria. Essa é a palavra que define a relação entre os empreendedores internos e as empresas em que trabalham. Mesmo não sendo os donos do negócio, eles pensam e agem como se fossem. Com isso, a preocupação em obter os melhores resultados faz parte do cotidiano desses profissionais. Bom para a empresa, bom para quem trabalha nela.

*Renato Grinberg, diretor-geral da trabalhando.com.br, é especialista em mercado de trabalho. Aos 35 anos, tem passagem por várias multinacionais, como a Latin American Multichannel Advertising Council (LAMAC), além de uma carreira internacional, tendo trabalhado em empresas como a Sony Pictures e a Warner Bros em Los Angeles. É formado em Música e em Filosofia pela FAAM, pós-graduado em Administração de Empresas pela UCLA e possui MBA pela University of Southern California, Marshall School of Business.

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